O coração é o motor do nosso corpo. Para funcionar bem, ele depende de escolhas diárias que parecem simples, mas fazem toda a diferença a longo prazo. Quando cultivamos hábitos prejudiciais por anos, aumentamos o risco de infarto, arritmias e outras doenças cardiovasculares.
A American Heart Association (AHA), nos Estados Unidos, reforça que cuidar da saúde do coração envolve um conjunto de atitudes — e evitar certos comportamentos é parte essencial dessa proteção.
Vídeo: Os 5 piores hábitos para saúde cardíaca
Entenda como escolhas simples do dia a dia podem aumentar o risco de infarto e conheça recomendações da AHA para proteger seu coração:
1. Sedentarismo
Ficar muito tempo sentado, sem se movimentar, é um dos maiores problemas da vida moderna. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase um em cada três adultos não pratica atividade física suficiente.
A recomendação da OMS e da AHA é a mesma: faça pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana, como caminhada rápida ou pedalar. Se preferir, pode optar por 75 minutos semanais de exercícios intensos, como corrida.
Incluir musculação na rotina, duas vezes por semana, ajuda a fortalecer os músculos, melhorar a postura e dar mais suporte ao coração.
2. Má alimentação
O excesso de frituras, embutidos, refrigerantes e carnes vermelhas favorece o acúmulo de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
Os produtos ultraprocessados também merecem atenção: ricos em sal, açúcar, gorduras ruins e aditivos, eles impactam diretamente a saúde cardiovascular. A dica é apostar em uma alimentação baseada em:
- Frutas, verduras e legumes em abundância;
- Grãos integrais, como arroz integral, aveia e quinoa;
- Fontes magras de proteína, como peixe, frango e leguminosas;
- Oleaginosas e azeite de oliva, que oferecem gorduras boas para o coração.
Uma forma simples de cuidar da alimentação é olhar sempre o rótulo: listas muito grandes de ingredientes, nomes estranhos ou avisos de alto teor de sódio, gordura saturada ou açúcar são sinais de que é bom evitar aquele produto.
3. Tabagismo
Fumar é um dos hábitos mais destrutivos ao coração. Mesmo quem fuma apenas “socialmente” já expõe o organismo a substâncias tóxicas que prejudicam vasos sanguíneos e aumentam o risco de coágulos.
E o perigo não se limita a quem traga esses produtos. Fumantes passivos (pessoas que convivem com quem fuma) também estão mais expostos aos riscos de desenvolver doenças cardíacas. A boa notícia é que parar de fumar traz benefícios imediatos, mesmo para quem é tabagista há muito tempo.
4. Estresse e falta de sono
Quem vive constantemente sob pressão conhece os efeitos imediatos do estresse, como a aceleração dos batimentos cardíacos, o suor frio e a respiração curta. Isso acontece porque o corpo libera adrenalina e noradrenalina, que, em excesso, podem causar danos permanentes ao coração.
A associação dessa tensão ao hábito de dormir pouco pode ser extremamente prejudicial. Além de impactar em aspectos cognitivos, o sono ruim impede o corpo de regular suas funções vitais, como a frequência cardíaca.
A AHA recomenda que adultos durmam, em média, de sete a nove horas de sono por noite, com regularidade. Isso significa manter horários próximos para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
Higiene do sono é fundamental:
- Evite telas (celular, TV, computador) antes de dormir;
- Prefira ambientes escuros e silenciosos;
- Evite cafeína e refeições pesadas à noite.
5. Álcool
Durante muito tempo, propagou-se a ideia de que uma taça de vinho por dia faria bem ao coração. No entanto, pesquisas recentes demonstram que os riscos do álcool superam possíveis benefícios.
O consumo frequente, mesmo em pequenas quantidades, pode levar a hipertensão, arritmia e danos no músculo cardíaco. Há ainda evidências de que esteja associado a diferentes tipos de câncer. Por isso, a estratégia mais segura é a moderação ou até mesmo a abstinência. Não existe dose segura de álcool.
Revisão técnica: Pâmela Cavalcante (CRM 153200/RQE 116412), professora da pós-graduação em Cardiologia no Einstein Hospital Israelita e assistente da seção de cardiometabolismo no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia