Febre amarela: principais informações

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De assintomática a sangramentos difusos, a febre amarela pode causar muitos problemas

Por Dr. Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunização do Hospital Israelita Albert Einstein / CRM SP 34 115

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta incubação (em geral inferior a 10 dias), gravidade variável, causada pelo Flavivírus (vírus da febre amarela), que ocorre nas Américas (Central e do Sul) e na África.

Muitas pessoas com o vírus da febre amarela não apresentam manifestações da doença ou, se apresentam, são muito discretas.

Os sintomas, em geral, surgem até 6 dias após a picada pelo mosquito infectado. A pessoa pode apresentar febre alta (maior que 37,8 ºC) e de início súbito, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular e calafrios. Podem surgir também náuseas, vômitos e diarreia.

Grande parte dos pacientes melhora após 2 a 4 dias e torna-se imune a novos episódios da doença. Muitos pacientes, inclusive, podem acreditar que os sintomas são de um estado gripal e nem ficam sabendo que tiveram a doença.

A forma grave da febre amarela surge um ou dois dias depois de um período de aparente melhora. É resultado da relação entre estado do sistema imunológico do paciente e ação do vírus; por isso alguns pacientes evoluem para melhora e autoimunização enquanto outros desenvolvem a forma grave. Nela, entre 20% e 50% dos pacientes podem evoluir para o óbito.

Nessa fase, reaparecem a febre, a dor abdominal, o vômito e a diarreia. Ocorrem sangramentos nas gengivas e pelo nariz e as fezes e o vômito podem ser escuros como borra de café. Pode haver comprometimento do fígado e o volume de urina diminui até a ausência total, por mau funcionamento dos rins.

Os sintomas iniciais da febre amarela são os mesmos da dengue e da leptospirose. Por isso, é importante buscar atendimento médico o mais rápido possível, aos primeiros sinais, para que seja feito o diagnóstico diferencial por meio da coleta de sangue e exame sorológico — principalmente o isolamento do vírus em cultura. Assim, serão tomadas as medidas adequadas para o tratamento.

Tipos

É dividida entre febre amarela silvestre e febre amarela urbana.

A maior incidência da doença acontece entre os meses de janeiro e abril, período das chuvas. Nessa época, há um aumento da quantidade do mosquito transmissor. Sendo período de férias — de final de ano e escolares — e de maior atividade agrícola, pode haver a elevação do número de pessoas infectadas.

Infelizmente o Brasil como um todo é uma grande área de risco — exceto o litoral da região Sul, no sentido que ocorrem em quase todo país casos esporádicos de febre amarela silvestre — e isto inclui o estado de São Paulo. No mundo, África e grande parte da América Latina são áreas de risco.

  • Febre amarela silvestre é transmitida por Haemagogus — um mosquito que vive no topo de árvores de florestas, que transmite a doença principalmente a macacos e raramente a habitantes de áreas rurais;
  • Febre amarela urbana é transmitida pelos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A febre amarela urbana foi extinta no Brasil desde que a vacina ficou disponível e a técnica de contenção implementada. Caso ocorra algum caso da doença, há vacinação em massa no local e no entorno, limitando a transmissão da doença;
  • Não existe transmissão de pessoa para pessoa.

O diagnóstico é feito pela PCR (reação da polimerase) para febre amarela. A cultura do vírus é feita cada vez menos por conta da dificuldade e até mesmo pelos riscos envolvidos.

Esta é uma doença de notificação compulsória, mesmo na suspeita.

Não existe um tratamento específico no combate à febre amarela. Ele é apenas sintomático e o paciente necessita de repouso para hidratação e controle da febre. Muitos pacientes acabam melhorando dos sintomas sem a necessidade de hospitalização.

A internação hospitalar será indicada caso não haja melhora dos sintomas ou surjam sangramentos. É contraindicado o uso de medicamentos com ácido acetilsalicílico (AAS®, Aspirina® etc.) por aumentarem o risco de sangramentos. Nas formas graves, em que há risco para a vida — o paciente deve ser atendido numa unidade de terapia intensiva.

A única forma de prevenção é a vacinação.

A vacina contra a febre amarela é segura. Ela integra o calendário de vacinação brasileiro e está disponível nos postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). É utilizada rotineiramente no calendário infantil, nas regiões do Brasil em que ocorre a Febre Amarela, a partir dos 9 meses de idade. Acima de 60 anos de idade, é necessária uma avaliação médica para análise do risco/benefício da vacinação.

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