Pés Planos: principais informações

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Por Dr. Francesco Camara Blumetti, Ortopedista e Traumatologista / CRM SP 111 528

O pé plano flexível, também chamado de “pé chato”, é uma condição na qual o arco da parte interna do pé diminui ou desaparece quando a criança está em pé. Quando sentado, ou quando a criança está na ponta dos pés, esse arco reaparece. O fato de que o arco reaparece quando o pé não está apoiado demonstra a flexibilidade do pé.

Os pais e outros membros da família muitas vezes ficam preocupados desnecessariamente ao notar um arco anormalmente baixo ou ausente no pé de uma criança. Isso, por temer a ocorrência de deformidades permanentes, seja nos pés ou na coluna, ou ainda uma eventual dificuldade para as atividades físicas. A maioria das crianças, no entanto, acaba por desenvolver o arco do pé em idade apropriada. Ao início da marcha, por volta de um ano de idade, praticamente todas as crianças apresentam pés planos e a formação do arco só será realmente percebida por volta dos seis ou sete anos de vida. O arco definitivo só estará pronto por ocasião da puberdade, e cerca de um em cada cinco indivíduos podem permanecer com algum grau de redução do arco plantar na idade adulta. Portanto, os pais e familiares devem compreender que essa condição geralmente é indolor e não interfere com a marcha ou a participação dos esportes (Figura 1).

Figura 1 – Pé plano flexível, evidenciando a ausência do arco interno do pé.

O pé plano flexível tem função normal e boa mobilidade articular, sendo considerado como uma variação normal. Enquanto a criança cresce e caminha, os tecidos moles do pé (músculos, tendões e ligamentos) modelarão o arco de forma gradual na maioria dos indivíduos. Em alguns casos, a criança pode ter dor na parte inferior do pé ou na perna, aos esforços. Quando houver dor ou limitação durante as atividades, será necessária uma avaliação médica.

Para o diagnóstico, o médico examinará a criança para afastar outros problemas e verificar se os pés são realmente flexíveis. Eventualmente pode ser detectado um encurtamento do tendão calcâneo (Aquiles) ou ainda o pé plano rígido, que é uma condição que muitas vezes requer tratamento.

O médico observará se há desgaste assimétrico nos sapatos de uso diário da criança. A ocorrência de pés planos em alguém na família também é um dado importante, que deve ser informado ao médico, pois essa condição pode ser herdada. A ocorrência de alguma doença neurológica ou muscular na criança é outro dado fundamental a informar ao médico. No exame clínico o médico avaliará a criança andando, ficando na ponta dos pés e levantando os dedos para verificar se o arco do pé aparece (Figura 2). Também será observado se há algum encurtamento do tendão calcâneo (Aquiles), bem como a presença de calosidades e a mobilidade das articulações dos pés.

Figura 2 – O arco desaparece quando em pé está apoiado e reaparece quando a criança está na ponta do pé.

O tratamento para pé plano flexível só é necessário quando a criança apresenta sintomas de dor ou desconforto.

Tratamento Não Cirúrgico

Se a criança apresentar dor ou cansaço no pé/tornozelo ou na perna, o médico poderá recomendar exercícios de alongamento para o tendão calcâneo (Aquiles). Quando o desconforto persiste, o médico pode recomendar palmilhas flexíveis ou calçados adequados (contraforte firme, tamanho adequado, flexíveis e sola antiderrapante) com o suporte no arco para o alívio das dores e fadiga. O uso de palmilhas também pode ser indicado para crianças que, apesar de assintomáticas, apresentam desgaste acentuado de calçados. Eventualmente poderá ser recomendada a fisioterapia para o treino da marcha e alongamentos do tendão calcâneo (Aquiles). É importante ressaltar que as palmilhas têm a finalidade de tratar os sintomas e, assim como botas ou calçados especiais, não têm efeito na formação do arco plantar.

Tratamento Cirúrgico

Raramente o tratamento cirúrgico poderá ser necessário para um adolescente com dor e incapacidade persistentes. Um pequeno número de crianças com pés planos pode apresentar pés que se tornam rígidos e não se corrigem com o crescimento. Estes são casos que exigem avaliação médica mais frequente.

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