Sarampo: principais informações

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Muito além das manchinhas vermelhas na pele, doença pode culminar em pneumonia e encefalite

Por Dr. Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunização do Hospital Israelita Albert Einstein / CRM SP 34 115

O sarampo é uma virose — um vírus com genoma RNA (paramixovírus do grupo morbillivirus). Como a maior parte das doenças de disseminação respiratória, o sarampo era bem mais comum no inverno pela maior aglomeração de pessoas. A doença está bem controlada no Brasil e os casos que aparecem são importados ou secundários a importados.

Tosse, coriza, injeção conjuntival e febre. Após poucos dias da contaminação aparece o típico exantema (erupções avermelhadas na pele) do sarampo, que se inicia no tronco. O exantema não coça e dura pouco mais do que uma semana. Bem no começo do exantema aparecem manchas brancas muito típicas nas mucosas, mais fáceis de ver na mucosa oral — as manchas de Koplick.

Tipos

O sarampo pode levar a várias complicações. A mais comum é a pneumonia bacteriana – principal responsável pela morte de crianças desnutridas. As complicações neurológicas, no entanto, assustam mais. Além de algumas agudas, como encefalite transitória, há uma encefalite crônica que sempre evolui mal e para o óbito. Ela ocorre anos depois do sarampo e é resultado da persistência do vírus no sistema nervoso central. É rara, mas assustadora.

Em adultos o sarampo é ainda mais grave. O diagnóstico é mais difícil e há uma pneumonia não bacteriana, pelo vírus do sarampo mesmo, que pode ser muito grave.

É uma doença causada por vírus que ainda não foi erradicada porque algumas pessoas não vacinam seus filhos, pois têm medo, injustificado, de que a vacina possa causar autismo.

A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e a doença é muito contagiosa. Aproximadamente 90% das pessoas suscetíveis adquirem sarampo ao entrar em contato com alguém contaminado. A doença dá imunidade definitiva: só se tem sarampo uma vez. O sarampo é contagioso dois dias antes de o exantema surgir e até cinco dias depois.

Realizado por meio de análise clínica e confirmado com exames laboratoriais.

O tratamento é sintomático e das complicações tratáveis, como a pneumonia. Não há tratamento antiviral específico.

A prevenção é com vacina. A vacina do sarampo é extremamente efetiva e tem poucos riscos.

Infelizmente, há alguns anos um médico inglês (Andrew Wakefield) afirmou que a vacina seria capaz de causar autismo. Vários pais acreditaram. O Conselho Federal de Medicina (CRM) da Inglaterra, há cerca de dois anos, cassou a licença do médico, mas pessoas dos Estados Unidos e Europa ainda acreditam nele. Por isso temos casos importados no Brasil.

A vacina no Brasil é recomendada em duas doses: aos 12 meses com a vacina tríplice viral (sarampo-caxumba-rubéola) e aos 15 meses com a quádrupla viral (sarampo-caxumba-rubéola-varicela). É uma vacina de vírus vivo e, em geral, dada como parte da tríplice (sarampo, rubéola e caxumba). Há necessidade de repetir a vacinação aos cinco anos. Todo mundo deve ser vacinado — todas as crianças. Adultos que não foram vacinados e não tiveram sarampo também deveriam, mas são uma raridade hoje no Brasil.

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