Aneurisma cerebral: qual o melhor tratamento?

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É possível tratar um aneurisma cerebral de maneira minimamente invasiva (via endovascular) e sem a abertura cirúrgica do crânio. Saiba como!

Por Dr. Carlos Eduardo Baccin, médico radiologista intervencionista / CRM SP 102 026 e Dr. Thiago Giansante Abud​, médico radiologista intervencionista / CRM SP 109 135, ambos do Hospital Israelita Albert Einstein

​O aneurisma cerebral é uma dilatação, espécie de “bolha”, na parede de um vaso sanguíneo do cérebro (artéria intracraniana). A maioria dos aneurismas apresenta aspecto sacular (“berry aneurysms”) e são divididos em três grupos de acordo com o seu tamanho: pequenos (< 10 mm), grandes (10 a 25 mm) e gigantes (>25 mm). 

Existem também aneurismas do tipo fusiforme caracterizados pela dilatação da parede da artéria em toda a sua circunferência.

Causas

Os aneurismas são decorrentes de uma fraqueza na parede das artérias cerebrais, sem uma razão bem definida na maioria dos casos. No entanto, podem estar associadas a traumas, infecções e uso de drogas.​

Sintomas

O sintoma mais conhecido é a dor de cabeça com início súbito e forte intensidade, decorrente da ruptura da parede do aneurisma e sangramento ao redor do cérebro, conhecido como hemorragia subaracnoide.

Entre os pacientes que apresentam sangramento do aneurisma, 50 a 60% morrem por consequência direta do aneurisma e complicações associadas. Destes, 10% morrem antes de serem atendidos por um médico.​

A maioria dos aneurismas cerebrais pequenos não promovem sintomas (assintomáticos) e são descobertos por acaso (incidentalmente) em exames de imagem do crânio, como tomografia ou ressonância magnética, nas investigações de alteração de memória, sinusites, enxaqueca, trauma e infecções.

Os aneurismas grandes podem comprimir o cérebro (ou nervos) promovendo vários tipos de sintomas neurológicos. Procure imediatamente um médico caso sinta:

  • Dor de cabeça súbita acentuada (“pior dor de cabeça de sua vida”);
  • Perda ou alteração no nível de consciência súbita;
  • Rigidez no pescoço;
  • Súbita presença de visão dupla ou borrada;
  • Súbita dor acima ou atrás dos olhos ou dificuldade para enxergar;
  • Súbita dificuldade para andar ou tontura;
  • Súbita fraqueza e alteração de sensibilidade;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Convulsões;
  • Queda da pálpebra.

Diagnóstico

​O diagnóstico pode ser feito através de exames de tomografia, ressonância magnética ou angiografia do crânio.​

Fatores de risco

Médicos e pesquisadores acreditam que alguns fatores estão mais relacionados à presença ou formação dos aneurismas cerebrais:

  • Tabagismo;
  • Pressão alta (hipertensão arterial);
  • Origem congênita (fragilidade na parede das artérias cerebrais);
  • História familiar de aneurismas cerebrais;
  • Idade acima de 40 anos;
  • Sexo feminino (maior incidência em mulheres);
  • Outras doenças: Ehler Danlos, Doença Renal Policística, Síndrome de Marfan, Displasia Fibromuscular;
  • Malformação arteriovenosa cerebral;
  • Uso de drogas, particularmente cocaína;
  • Infecções;
  • ​Tumores;
  • Lesão cerebral traumática.

Sequelas

A rotura de um aneurisma cerebral pode ser fatal ou deixar sequelas irreversíveis. Devem ser tratados antes de romperem, quando houver indicação médica. Os aneurismas rotos devem ser tratados para impedir o seu ressangramento, responsável por um aumento da taxa de mortalidade para 70%.​

Tratamento tradicional

A forma tradicional do tratamento é a cirurgia convencional, na qual o neurocirurgião abre o crânio (craniotomia) e faz a clipagem do colo do aneurisma com técnicas microcirúrgicas.

Hoje em dia, com o grande avanço dos equipamentos, técnicas e materiais médicos, o tratamento pode ser feito de maneira minimamente invasiva (via endovascular), sem a abertura cirúrgica do crânio.

Tratamento minimamente invasivo

É realizada uma incisão inguinal (na virilha) de 2 cm, feita sob efeito de anestesia local e geral, sendo um sistema de cateteres inseridos por esta via até o cérebro, de maneira coaxial, para implantar os dispositivos responsáveis pela oclusão dos aneurismas, como espirais destacáveis (coils) e stents, de acordo com a técnica escolhida. Esses procedimentos são conhecidos como embolização e realizados por médicos com treinamento especializado.

O tempo de internação e recuperação, após um procedimento minimamente invasivo (endovascular), é menor em comparação com a cirurgia convencional.

O tratamento minimamente invasivo endovascular (embolização) é a melhor escolha de acordo com as características do paciente e aneurisma e pode ser realizado na grande maioria dos casos. No entanto, em alguns casos específicos, a cirurgia convencional ou a observação clínica são preferíveis. Consulte sempre o seu médico para avaliarem juntos qual o melhor tratamento para o seu caso.

O paciente fica internado por 3 dias no hospital e volta às suas atividades regulares em cerca de uma semana, na maioria dos aneurismas tratados de forma eletiva e programada, ou seja, aqueles que não romperam (sangraram) antes do tratamento.

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