Hepatite B: principais informações

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A probabilidade de transmissão desse vírus é bem maior do que do HIV – aproximadamente 30%

Por Dr. Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunização do Hospital Israelita Albert Einstein / CRM SP 34 115

A hepatite B é uma doença infecciosa endêmica no Brasil, com distribuição bastante heterogênea, sendo maior nas regiões Norte e Sudeste, apesar da introdução da vacina na Amazônia em 1989 e dos esforços progressivos em imunização e prevenção no Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que 15% da população brasileira já tenha sido contaminada e 1% seja atualmente portadora crônica da doença.

Na forma aguda, que representa a maioria dos casos, o período de incubação varia entre 30 e 180 dias, sendo os primeiros sintomas mal-estar, dores no corpo, falta de apetite e febre; que são seguidos por icterícia (pele amarelada), coceira no corpo, urina escura e fezes claras. Tais manifestações cessam em aproximadamente seis semanas, ficando o paciente imune a este vírus, na maioria dos casos.

A evolução para a forma crônica depende da idade na qual ocorre a infecção e da imunidade da pessoa. As crianças são as mais afetadas. Naquelas com menos de um ano, esse risco chega a 90%; entre um e cinco anos, varia entre 20% e 50%. Em adultos, o índice cai para 5% a 10%. Além disso, é observada com maior frequência entre aqueles que ingerem bebidas alcoólicas e são imunocomprometidos. Na forma crônica normalmente não existem sintomas.

Tipos

A hepatite B pode se apresentar como uma hepatite aguda (duração inferior a seis meses) ou crônica.

A hepatite B é causada pelo vírus B (HBV), resultando na inflamação das células do fígado (hepatite). Como o HBV está presente no sangue, no esperma e no leite materno, a hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível.

Entre as causas de transmissão estão:

  • Relações sexuais, sem o uso de preservativos, com uma pessoa infectada;
  • Da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação (conhecida como transmissão vertical);
  • Compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings;
  • Hemodiálise;
  • Transfusão de sangue contaminado.

O diagnóstico da hepatite B é feito por meio de exame de sangue específico (sorologia viral), além da contagem viral. Após o resultado positivo, o médico indicará o tratamento adequado. Nas formas crônicas pode ocorrer a evolução para a cirrose (formação de cicatriz no fígado com prejuízo de sua função que decorre, nesse caso, pela inflamação crônica pelo vírus da hepatite B, ou secundária a várias outras causas, como uso de álcool, hepatite C, hepatite autoimune etc.) e para o aparecimento de câncer.

Nesses casos, pode ser necessário complementação com outros exames, como imagens do fígado (tomografia ou ultrassom de abdome) ou até biópsia do fígado. Atualmente testes não invasivos que determinam a quantidade de fibrose, como a elastografia por Fibroscan® ou a elastografia por ressonância, entre outros, também podem ser usados, evitando ou postergando a biópsia.

Para o tratamento das formas agudas, além dos medicamentos (quando necessário), indica-se interromper o consumo de bebidas alcoólicas e remédios para aliviar sintomas como vômito e febre.

As indicações para tratamento nas formas crônicas dependem da presença ou ausência de cirrose, da presença da replicação viral (multiplicação do vírus no sangue) e das condições clínicas do paciente. Atualmente existem várias medicações disponíveis, conhecidos como antivirais (entre eles: interferon, lamivudina, tenofovir e entecavir), na maioria das vezes de uso oral (com exceção do interferon que é de uso subcutâneo), que podem ser usadas e sendo disponibilizadas pelo SUS. Nas formas mais graves, quando a cirrose já está instalada ou existe o aparecimento de câncer, pode ser necessário um transplante de fígado.

A melhor maneira de prevenir a hepatite B é pelo uso da vacina, dada àqueles que ainda não desenvolveram a doença. A vacina contra a hepatite B é segura, eficaz e geralmente administrada em 3-4 doses durante um período de 6 meses. Depois de receber todas as doses, a vacina contra hepatite B fornece mais de 90% de proteção para bebês, crianças e adultos.

Todas as crianças devem receber a primeira dose da vacina contra a hepatite B no nascimento e devem completar a série de três doses até os seis meses de vida. Adultos que não foram vacinados devem atualizar suas vacinas. Pessoas com alto risco de contaminação, incluindo profissionais da saúde e aqueles que moram com alguém que tem hepatite B, também precisam se vacinar. Recém-nascidos cujas mães estão infectadas com hepatite B devem receber uma imunização especial, que inclui imunoglobulina contra hepatite B e vacinação contra hepatite B nas primeiras 12 horas de vida. A triagem de todo o sangue doado tem reduzido as chances de contaminação por hepatite B na transfusão de sangue. A notificação obrigatória da doença permite que os profissionais da saúde acompanhem pessoas que foram expostas ao vírus. A vacina ou a imunoglobulina contra a hepatite B (HBIG) pode ajudar a prevenir a infecção se aplicada até 24 horas após a exposição.

As orientações de prevenção às hepatites virais devem ser compartilhadas com os contatos domiciliares e parceiros sexuais. A prevenção requer atitudes e práticas seguras — como o uso adequado do preservativo e o não compartilhamento de instrumentos perfurocortantes e objetos de higiene pessoal, como escovas de dente, alicates de unha, lâminas de barbear ou depilar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda às mães portadoras de hepatite B crônica que mantenham a amamentação (na dúvida, consulte um especialista).

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