Saúde mental das novas mães

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Por Dr. Rômulo Negrini, Coordenador de Obstetrícia da Maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein / CRM SP: 113 055

Existem várias formas de relaxamento pós-parto, muitas das quais passíveis de se realizar em casa, e elas não fogem muito do habitual. Além dos exercícios, que liberam endorfina, hormônio que promove bem-estar, existem outras formas de relaxamento de corpo e mente. Entre estas formas é possível destacar a ioga, os sons relaxantes, as massagens, meditações, técnicas de respiração profunda e alongamentos. Seja qual for a técnica escolhida, o ideal é dedicar-se total e integralmente à mesma, ainda que em curto espaço de tempo. Essa é outra situação em que a rede de apoio pode ser importante.

A gestação é um período de transformações que geram ansiedades e medos, especialmente relacionados aos raros desfechos desfavoráveis. Isso deve ser trabalhado com o obstetra, que deve indicar a raridade dessas condições, explicar as mudanças e, assim, tranquilizar a futura mamãe sobre a evolução da gravidez. 

O maior estresse, entretanto, ocorre no período pós-parto: fatores como dificuldades com os cuidados do bebê e amamentação, expectativas irreais não correspondidas, interação progressiva da criança, desvio do foco de atenção da família totalmente ao bebê, autocobrança etc. contribuem para isso. Essas questões, somadas às alterações hormonais importantes e naturais do período, fazem com que mais de 80% das mulheres sintam tristeza no pós-parto, também conhecida como blues puerperal. Em geral, isso se resolve naturalmente após alguns dias, sendo fundamental o apoio de familiares e do obstetra. Cabe também ao médico reconhecer quando esses casos evoluem para depressão de fato (o que raramente acontece), com importante impacto nas atividades diárias — situação em que a medicação se faz necessária.

Diante do quadro de tristeza ou estresse deve-se reportar ao obstetra e aos familiares para que seja identificada a gravidade e propostas medidas de alívio necessárias. Embora não tenhamos estudos definitivos relacionando estresse e ansiedade com desfechos fetais e neonatais, sabemos que essas condições podem afetar a saúde física da gestante e, consequentemente, ter repercussão no desenvolvimento dos bebês ou afetar os cuidados com as crianças.

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