Uso de telas na infância: limitá-las pode trazer benefícios

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Reduzir o uso de telas na infância pode melhorar o desempenho de tarefas que envolvem memória e atenção. Além disso, estudos de especialistas apontam que o uso de eletrônicos por mais de uma hora ao dia também piora a capacidade de regular comportamentos e emoções. Saiba mais!

Crianças pequenas que passam no máximo uma hora por dia em frente às telas e são fisicamente ativas têm melhor desempenho em habilidades que envolvem: memória, atenção e controle das emoções, de acordo com um estudo publicado no The Journal of Pediatrics que acompanhou 356 meninos e meninas com 2 anos de idade.

Estudos anteriores já apontavam o impacto negativo do uso excessivo de eletrônicos e da falta de atividades físicas ao ar livre para a faixa etária. No entanto, a nova pesquisa avaliou a influência desses fatores logo no início do desenvolvimento infantil e como eles afetam os mais novos em relação às suas capacidades de lembrar, planejar, prestar atenção, regular pensamentos e comportamento — as chamadas funções executivas.

Como o uso de telas pode impactar a infância?

Até os 5 anos, o cérebro se desenvolve rapidamente, com grande proliferação dos neurônios e conexões entre eles, formando a base para o funcionamento cerebral durante a vida. Após essa idade, cai a velocidade com que as conexões são feitas.

“Uma criança que não desenvolve bem as habilidades de comunicação, interação social e funções executivas durante a infância certamente terá prejuízos em seu funcionamento nas fases posteriores da vida”, explica a pediatra Mariana Granato, do Hospital Israelita Albert Einstein e integrante do Departamento de Pediatria do Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O que o uso excessivo de telas pode causar?

Mesmo que seja difícil erradicar os dispositivos eletrônicos da rotina, o uso deve ser minimizado. Bebês com menos de dois anos não deveriam ter acesso a eles.

Entre dois e cinco anos, o tempo máximo de telas deve ser uma hora por dia, segundo a recomendação da Academia Americana de Pediatria. Isso porque os jogos de videogame, por exemplo, estimulam aspectos de recompensa rápida ativando centros cerebrais relacionados à impulsividade e à dificuldade do controle inibitório.

“Eles podem ser fonte de situações de frustração e irritabilidade, além de deixar as crianças mais agitadas”, diz a pediatra. Já os desenhos animados, mesmo aqueles com conteúdo considerado “educativo”, não são muito úteis para desenvolver habilidades cognitivas e de linguagem.

“Estudos mostram que o mesmo conteúdo transmitido por meio de uma tela tem um efeito pior em termos de aprendizado do que se for transmitido presencialmente”, explica Granato.

Quanto mais “viciada” a criança, maior o prejuízo a longo prazo. Isso aumenta a chance de problemas de atenção e hiperatividade, obesidade, sono, baixo rendimento escolar e dificuldade de interação social.

Reduzindo o uso de telas na infância

A boa notícia é que nunca é tarde para mudar os hábitos: “além das atividades físicas que favorecem aspectos motores, de interação social e melhoram o bem-estar, esse estímulo pode ser feito através de atividades e brincadeiras que estimulam atenção e concentração, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeças e jogo de memória”, orienta a pediatra.

“Atividades de relaxamento e meditação para crianças também são bastante interessantes”, finaliza a especialista.

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