Telessaúde: entenda o que é, como funciona e quais as vantagens

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Contribuiu com este artigo Dr. Eduardo Cordioli, Gerente Médico de Telemedicina no Hospital Israelita Albert Einstein, CRM SP 90 587

A evolução de nossos meios de comunicação e tecnologias facilita diversas práticas e entrega soluções no dia a dia. Com a telessaúde não é diferente. Ganha-se muito com esses recursos, já que eles potencializam a atenção primária, propiciam experiências mais favoráveis, entregam eficiência e otimizam as tomadas de decisões.

O tema é relevante, pois nos coloca em posição de refletir sobre o futuro da Medicina. Tendo em mente que as transformações estão cada vez mais velozes, conhecer o assunto nos deixa mais preparados.

Acompanhe mais para ficar por dentro dos principais pontos relacionados à telessaúde, sua importância e demais perspectivas!

O que é telessaúde?

Podemos definir telessaúde como atendimento ou uso de serviços dentro de alguma área da saúde, com ajuda da telecomunicação. Os meios tecnológicos facilitam essa prestação, no entanto, nem sempre foram a única forma de fazer a telessaúde acontecer.

Anos atrás, antes da chegada da internet, já era possível praticar a telessaúde, ainda que de forma restrita. Eduardo Cordioli relembra suas experiências: “quando era recém-formado, eu tinha um bipe e, se ele era acionado, eu tinha que ir a um telefone público, ligar para uma central, que me colocava em contato com o paciente e eu o orientava pelo próprio telefone”.

Qual é a diferença entre telessaúde e telemedicina?

As palavras são relacionadas, mas seus conceitos não são os mesmos. A telessaúde é mais ampla e abraça a telemedicina. Pode se referir a diversos serviços dentro de vários contextos da saúde. Pesquisas, conferências, capacitações e atendimentos on-line com psicólogos são bons exemplos.

A telemedicina, por sua vez, é mais específica e envolve teleconsultas, monitoramentos e emissão de laudos dentro de alguma especialidade médica. Assim, não é errado, em alguns momentos, usarmos a expressão telessaúde para nos referirmos às práticas da telemedicina.

Como a telessaúde vem se desenvolvendo?

No Brasil, existem locais que recorrem à telessaúde, mas se compararmos a outros países, ainda estamos atrás. Isso porque ainda encontramos resistências para que sua implementação se consolide.

Fazendo um pequeno resumo: em 2005, a Organização Mundial da Saúde (OMS) editou uma resolução para que todos os estados-membros usassem a telessaúde como estratégia. Nosso país passou a seguir a recomendação em 2007, quando criou o Programa Telessaúde Brasil, que tinha como foco melhorar a atenção básica no Sistema Único de Saúde (SUS). 

O Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2018, estabeleceu a permissão da teleconsulta. No entanto, em 2019, revogou a resolução que a permitia. Devido à pandemia de COVID-19, em abril de 2020, a Presidência da República liberou o uso da telemedicina na esfera suplementar.

Qual é a importância da telessaúde para pacientes e médicos?

A telessaúde é ampla, mas pensando na questão do atendimento médico em si, podemos dizer que ela viabiliza um melhor direcionamento de cada demanda. Por exemplo, temos mais condições de tomar decisões com resultados mais promissores.

“Com a ajuda das ferramentas tecnológicas, colocamos o paciente certo no lugar certo. Evitamos desperdícios, distribuímos melhor os recursos, conseguimos levar mais saúde para mais pessoas e melhoramos desfechos”, opina Cordioli.

Além disso, para ele, conseguimos resguardar a saúde da população, mesmo em casos de distanciamento social. “No começo da pandemia, não havia uma regulamentação nesse sentido. Muita gente ficou desassistida e isso ocasionou o aumento de complicações das doenças crônicas e, inclusive, algumas mortes domiciliares. Se a telessaúde já fosse perene, muitos desses casos teriam sido evitados.”

A atuação com foco em prevenção e controle de doenças é outro ponto importante. “O Data Science e as demais ferramentas de apoio à decisão, além de contribuírem para uma alocação mais racional de recursos, apoiam a atuação preventiva, pois a ciência computacional pode ser usada para prever complicações e agilizar um check-up”, continua.

Praticidade, onipresença e melhor experiência ao paciente também estão dentro das condições relevantes. “Estamos quando e onde o paciente precisar. Isso traz conforto na jornada dele, que busca a saúde e pode quebrar barreiras geográficas. Muitas pessoas têm dado preferência por essa forma de atendimento”, explica Cordioli.

Quais são as ferramentas usadas na telessaúde?

As ferramentas tecnológicas são essenciais para fazer a telessaúde funcionar no mundo moderno. No entanto, Cordioli chama a atenção para a integração delas com outros recursos, formando, assim, 4 Ps:

  • paciente: é preciso entender a jornada dele e avaliar como as tecnologias podem melhorar sua experiência, trazendo mais resolutividade e diminuindo gastos desnecessários;
  • pessoas: é necessário mudar o mindset e treinar profissionais, para que saibam entregar a assistência digital;
  • processo: ele tem que estar bem escrito, ser revisitado e aprimorado;
  • plataforma: é a tecnologia em si. A videoconferência, por exemplo, é muito usada, mas também há capturas de imagens, webservices e Data Science. Inclusive, é importante o foco em dados, pois eles geram insights que podem melhorar o sistema de saúde.

Quais são as expectativas e tendências com relação à telessaúde?

Cordioli tem uma visão positiva sobre o futuro da telessaúde. “Acredito que teremos uma exponencialidade. A pandemia impulsionou a saúde digital, que deixou de ser uma curiosidade para se tornar um core na avaliação do paciente. O uso da telessaúde será fundamental para a sustentabilidade do sistema.”

Quanto às tecnologias, ele acredita em uma contínua evolução. Uso de 5G, deep learning e machine learning para dados, inteligência artificial para apoiar a decisão do médico, cirurgias a distância, nanotecnologia no avanço da medicina farmacêutica e utilização de informações genéticas são algumas de suas apostas.

Por fim, olhando para todas essas possibilidades, podemos esperar uma Medicina ainda mais efetiva. “A Medicina do futuro será personalizada, participativa e preventiva. O paciente agirá no processo de decisão e, nós médicos, atuaremos mais na saúde e menos na doença. Estaremos em qualquer hora e lugar que o paciente precisar. Essa é a missão da telessaúde.”

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